Impactos negativos da automação na saúde e segurança das quebradeiras de côco babaçu
Palavras-chave:
quebradeiras de coco babaçu; automação; saúde do trabalhador; saberes tradicionais; tecnologia social.Resumo
Este artigo analisa os riscos da introdução de tecnologias de quebra do coco babaçu para a saúde, a segurança e a autonomia das quebradeiras, com atenção à preservação dos saberes tradicionais. A pesquisa é qualitativa, bibliográfica e documental, desenvolvida mediante revisão narrativa de estudos científicos, documentos institucionais e normas brasileiras. Distingue-se a mecanização manual da semiautomação e da automação, evitando atribuir inteligência artificial a equipamentos cuja documentação não demonstra esse recurso. A análise identifica publicações específicas sobre soluções tecnológicas para a atividade e evidencia a necessidade de diferenciar projetos de engenharia, experiências participativas e resultados de saúde efetivamente observados. Os possíveis efeitos negativos são discutidos em relação à organização do trabalho, ao controle dos equipamentos, à dependência de manutenção e à distribuição dos benefícios econômicos. A documentação examinada não autoriza afirmar que a automação tenha causado aumento generalizado de acidentes ou transtornos mentais entre essas trabalhadoras. Sustenta-se que a proteção da saúde exige avaliação do processo completo, participação das usuárias e compatibilidade entre inovação, direitos culturais e condições de reprodução comunitária. Conclui-se que a crítica à modernização deve incidir sobre escolhas técnicas e institucionais concretas, sem naturalizar a penosidade do trabalho tradicional nem tratar a eficiência produtiva como prova suficiente de desenvolvimento sustentável.
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