Água potável:

um direito ou uma mercadoria?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.19513101%20

Palavras-chave:

água; conflitos; privatização; precariedade; democracia.

Resumo

O presente artigo mostra o conflito global pelo controle da água materializado, de um lado, na articulação de atores que se empenham na promoção e implantação dos direitos humanos à água e ao saneamento e, de outro lado, na atuação de organizações financeiras, que buscam inseri-los no mercado de capitais, ameaçando o acesso das populações mais pobres a esses serviços essenciais. Experiências internacionais e locais destacam este conflito contemporâneo e mostram a precariedade dos serviços privados que geram insatisfação e revoltas populares, exigindo um modelo de gestão democrática mais acessível à participação cidadã. O artigo expõe as investidas do mercado contra os bens públicos em Manaus, tentando se apropriar dos sistemas de água e esgoto durante a história da cidade para finalmente se consolidar numa concessão privada que perdura apesar do baixo desempenho e da insatisfação popular. Este trabalho é fundamentado em uma bibliografia especializada que abre uma discussão necessária em tempos de mudanças climáticas e acentuada escassez hídrica no planeta.

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Biografia do Autor

Profa Dr. Sandoval Alves Rocha, Universidade Católica de Pernambuco

Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Lattes iD: http://lattes.cnpq.br/6202234765144107, Orcid iD: https://orcid.org/0000-0003-0723-0952, E-mail: sandovalrochasj@gmail.com

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Publicado

11.04.2026

Como Citar

ALVES ROCHA, Sandoval. Água potável: : um direito ou uma mercadoria?. Revista Buriti: Direito, Sociedade e Sustentabilidade, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 73–98, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.19513101 . Disponível em: https://buritidireitoesociedade.com/index.php/buritidi_ojs3302/article/view/45. Acesso em: 20 abr. 2026.

Edição

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Artigos